19 de jan. de 2011

Ronaldinho Gaúcho e a tragédia das chuvas no Rio

Há pouco mais de uma semana, Ronaldinho Gaúcho aportava na Gávea com toda pompa a que um jogador da sua estirpe tem direito no showbiz da bola. O problema, porém, é que a festança organizada para a recepção do craque, ciceroneada por pagodeiros e mulheres-frutas, destoava - e muito - da hecatombe que, na madrugada daquele mesmo dia, devastara a região serrana do Estado. Enquanto mais de 20 mil flamenguistas, ensandecidos, gritavam o nome do recém-chegado ídolo, em algum lugar não tão distante dali, milhares de pessoas entoavam, em uníssono, um outro cântico: o do desespero.

Aliás, a julgar pelas imagens estarrecedoras dessa que é considerada a maior catástrofe provocada pelas chuvas no Rio de Janeiro, acredito não ter visto cenas tão chocantes nem no mais hollywoodiano dos filmes.

Cessada a tormenta, o momento agora é de solidariedade - gesto que, felizmente, o brasileiro faz valer  nessas horas, embora haja sempre quem se aproveite do ensejo para pôr em prática a famosa "Lei de Gerson". Bom que tanta gente esteja sensibilizada com o sofrimento do próximo, mas a verdade é que muitos que poderiam fazer a diferença não estão nem aí para a desgraça alheia.

E foi justamente essa a impressão que tive da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. Além de não agir com o mínimo de bom senso em respeito às vítimas do temporal, ela poderia ao menos ter aproveitado o circo armado para ajudar a minorar a dor de quem realmente precisava de alento naquela ocasião - e não elevar às nuvens o ego de um cidadão que já está, como reza o dito popular, com as burras cheias de dinheiro.

Aposto que, se fossem convocados a fazê-lo, os torcedores levariam toneladas de donativos para terem acesso à festa. Vale lembrar que a maioria só adentrou o gramado da Gávea porque pôs a baixo, a fórceps, o portão que dá acesso ao local.

Acompanhei toda a transmissão, ao vivo, pelo SporTV, e também não me recordo de ter visto o Ronaldinho Gaúcho fazer qualquer menção ao desastre da região serrana. Em nenhum momento.

Soube, no entanto, que um grupo de internautas está pedindo ao jogador que ajude aos desabrigados doando seu primeiro salário – algo em torno dos R$ 1, 8 milhão. À impensa, R10 disse que fará tudo o que estiver ao seu alcance. Sinceramente, duvido que o dentuço vá abrir mão do valor integral de sua fortuna em favor dos mais necessitados. Como de praxe no mundo do futebol, o máximo que jogadores mercenários como ele fazem é leiloar uma camisa oficial do clube em que atuam e doar a quantia arrecadada.

Infelizmente, é como bem falam por aí: pimenta nos olhos dos outros é refresco - para não dizer outra coisa.

3 comentários:

Anônimo disse...

Ótima percepção, Alexandre. Que triste uma empresa como o Flamengo deixar passar tão batido assim. Seria uma maravilhosa oportunidade de ajudar as vítmas dessa catastrofe, que creio eu, de maioria flamenguista.

Alexandre Santos disse...

apartamento302 é o seu blog, Milena? Vou adicioná-lo aos meus Favoritos. Pois é! Foi muito bizarro assitir àquela palhaçada toda ao mesmo passo em que via imagens de um verdadeiro Tsunami de barro varrer tudo pela frente. E não há definição mais correta que a sua... Acabou essa história de time. "Empre$a" é o termo aequado. Valeu!!

Unknown disse...

PQP! titi meu bom, esse blog é massa! velhinho adorei, e essa de q discorrerá sobre oq lhe vier à telha foi d+!!! um abração meu brother rsrsrsrsrs...cara continue assim e seja sarcástico c os cérebros do sistema uhu... tenho um pedido, estou sempre no trânsito e ele está caótico, escreva algo sobre o tema, sei q verá absurdos.