O primeiro episódio do qual me recordo ocorreu na cidade de São Paulo, no mês de dezembro, e teve como vítima uma menina de apenas 12 anos. Em vez de soro, a auxiliar de enfermagem que a assistia aplicou-lhe vaselina líquida na veia. Stephanie dos Santos Teixeira morreu no dia 4 daquele mês por conta de uma infecção generalizada.
À polícia, Kátia Aragaki, a enfermeira desastrada, alegou que a “pressão" no trabalho teria contribuído para que ela se distraísse e trocasse os frascos dos medicamentos. Não se sabe por que cargas d’água, mas os vasilhames, apesar de conterem substâncias diferentes, estavam guardados no mesmo lugar. Constatado o crime, Kátia fora indiciada por homicídio culposo - quando não há intenção de matar.
Outro fato não menos desastroso aconteceu em meados de janeiro, aqui na Bahia, com a morte de um bebê de pouco mais de 1 ano. Nesse evento, porém, a própria mãe de Adriano Portugal Santana admitiu tê-lo deixado sozinho por alguns instantes para ir ao banheiro do hospital onde o pequeno encontrava-se internado, em Feira de Santana. Nesse ínterim, enquanto ela aliviava a bexiga, o menino teria despencado do berço e batido com a cabeça no chão. Apresentando sonolência, os médicos diagnosticaram que o garoto sofrera uma crise convulsiva seguida de traumatismo craniano. Dias depois, Adriano teve duas paradas cardíacas e não resistiu.
Os absurdos não pararam por aí.
No dia 30 de janeiro, mais uma vez na capital paulista, outra auxiliar de enfermagem figurava como algoz de uma criança indefesa. O motivo? Ao tentar retirar a bandagem da mão de uma menina de 1 ano, ela conseguiu cortar parte do dedo da garotinha.
Pois bem... Situações como as citadas acima seriam apenas emblemáticas, não fossem tão corriqueiras nos tempos em que faculdades e cursos destinados a profissionais de enfermagem surgem numa profusão nunca antes vista nos quatro cantos do país.
Não é novidade, mas convenhamos que educação técnica/superior, há muito, tornou-se sinônimo de negócio dos mais lucrativos. No entanto, ao se fazer justiça às instituições de ensino e aos profissionais que verdadeiramente zelam pelo exercício responsável de suas atividades, o certo é que já virou moda ver gente sem a mínima instrução fundamental a desfilar nas ruas com seus jalecos encardidos, a tiracolo, posando de doutor.
Em épocas de mercado competitivo, como rezam as propagandas das faculdades, o que vale mesmo é ter um diploma superior - mesmo que este seja arranjado a qualquer custo ou que para isso crianças inocentes tenham seus dedos mutilados e vaselina injetada em suas veias.

2 comentários:
Só uma coisa, Alexandre. A Enfermagem está tão conturbada quanto o Jornalismo. Assim como na nossa área qualquer um se autodenomina jornalista, na Enfermagem acontece o mesmo. Enfermeiro(a) é o que tem nível superior. O profissional de nível técnico é o auxiliar de Enfermagem. Alguns fazem bons cursos, com estágios supervisionados por bons profissionais. Outros, fazem como nas facuculdades em geral: pegam e diploma e só.
Ótima observação, Vanda! Não dá pra generalizar mesmo, é muito relativo. O problema não é exclusivo da área de Enfermagem. Mas, pior do que as faculdades-empresas, em minha opinião, é a pessoa que quer ter o tão sonhado diploma por ter, sem se preocupar se realmente está fazendo aquilo que gosta.
PS: e as dificuldades para o nosso lado são a cada dia piores.
Beijos e obrigado pela visita!
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