Há pouco mais de uma semana, Ronaldinho Gaúcho aportava na Gávea com toda pompa a que um jogador da sua estirpe tem direito no showbiz da bola. O problema, porém, é que a festança organizada para a recepção do craque, ciceroneada por pagodeiros e mulheres-frutas, destoava - e muito - da hecatombe que, na madrugada daquele mesmo dia, devastara a região serrana do Estado. Enquanto mais de 20 mil flamenguistas, ensandecidos, gritavam o nome do recém-chegado ídolo, em algum lugar não tão distante dali, milhares de pessoas entoavam, em uníssono, um outro cântico: o do desespero.
Aliás, a julgar pelas imagens estarrecedoras dessa que é considerada a maior catástrofe provocada pelas chuvas no Rio de Janeiro, acredito não ter visto cenas tão chocantes nem no mais hollywoodiano dos filmes.
Cessada a tormenta, o momento agora é de solidariedade - gesto que, felizmente, o brasileiro faz valer nessas horas, embora haja sempre quem se aproveite do ensejo para pôr em prática a famosa "Lei de Gerson". Bom que tanta gente esteja sensibilizada com o sofrimento do próximo, mas a verdade é que muitos que poderiam fazer a diferença não estão nem aí para a desgraça alheia.
E foi justamente essa a impressão que tive da presidente do Flamengo, Patrícia Amorim. Além de não agir com o mínimo de bom senso em respeito às vítimas do temporal, ela poderia ao menos ter aproveitado o circo armado para ajudar a minorar a dor de quem realmente precisava de alento naquela ocasião - e não elevar às nuvens o ego de um cidadão que já está, como reza o dito popular, com as burras cheias de dinheiro.
Aposto que, se fossem convocados a fazê-lo, os torcedores levariam toneladas de donativos para terem acesso à festa. Vale lembrar que a maioria só adentrou o gramado da Gávea porque pôs a baixo, a fórceps, o portão que dá acesso ao local.
Acompanhei toda a transmissão, ao vivo, pelo SporTV, e também não me recordo de ter visto o Ronaldinho Gaúcho fazer qualquer menção ao desastre da região serrana. Em nenhum momento.
Soube, no entanto, que um grupo de internautas está pedindo ao jogador que ajude aos desabrigados doando seu primeiro salário – algo em torno dos R$ 1, 8 milhão. À impensa, R10 disse que fará tudo o que estiver ao seu alcance. Sinceramente, duvido que o dentuço vá abrir mão do valor integral de sua fortuna em favor dos mais necessitados. Como de praxe no mundo do futebol, o máximo que jogadores mercenários como ele fazem é leiloar uma camisa oficial do clube em que atuam e doar a quantia arrecadada.
Infelizmente, é como bem falam por aí: pimenta nos olhos dos outros é refresco - para não dizer outra coisa.
19 de jan. de 2011
14 de jan. de 2011
Salve-se quem puder!
A polêmica em torno da participação dos jegues na Lavagem do Bonfim trouxe à baila uma série de opiniões a respeito da decisão da Justiça, que bateu o martelo e proibiu a presença dos animais na festa.
Apesar de louvável, em minha humilde opinião, a determinação deixou muita gente contrariada com a “quebra” da tradição. Nas redes sociais, li comentários deploráveis - do tipo “a Justiça não tem mais o que fazer?” -, reverberados até mesmo por alguns nobres colegas jornalistas.
Se não estão nem aí para os bichos ou não simpatizam com os pobres jegues, esse tipo de gente deveria ao menos se informar melhor e tomar nota de que, para as situações de maus-tratos, está o Artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605-98 - a Lei de Crimes Ambientais.
E foi justamente com base na referida norma que o Judiciário baiano, de modo veemente, agiu - o que representa um grande passo para conscientizar nossa sociedade medieval de que os animais também merecem tratamento digno.
Não sou adepto a festas de largo de nenhum tipo, porém, respeito as tradições e costumes de qualquer povo. Só não acho justo judiar dos indefesos jegues.
Imagine o nível de estresse a que eles são submetidos, ao cruzararem uma ponta a outra da cidade - da Conceição da Praia ao Bonfim -, com um monte de tralha sobre o lombo, num calor vulcânico, sem água e numa barulheira orquestral!
“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados", já dizia Mahatma Gandhi.
No entanto, a falta de respeito aos animais ilustra apenas parte da relação perversa que o homem mantém com o planeta.
E o que falar dos desastres naturais, que, com cada vez mais frequência e ferocidade, varrem cidades inteiras, a exemplo do que devastou a região serrana do Rio de Janeiro nos últimos dias? É, sem dúvida, a resposta da natureza, dando de volta ao homem toda a sua maldade e ganância.
Lamentavelmente, cenas pavorosas, como as exibidas à exaustão na última semana, se repetirão com mais assiduidade daqui para frente.
Não tem jeito: a natureza cobra, e até quem não tem nada a ver acaba pagando.
Salve-se quem puder!
Apesar de louvável, em minha humilde opinião, a determinação deixou muita gente contrariada com a “quebra” da tradição. Nas redes sociais, li comentários deploráveis - do tipo “a Justiça não tem mais o que fazer?” -, reverberados até mesmo por alguns nobres colegas jornalistas.
Se não estão nem aí para os bichos ou não simpatizam com os pobres jegues, esse tipo de gente deveria ao menos se informar melhor e tomar nota de que, para as situações de maus-tratos, está o Artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605-98 - a Lei de Crimes Ambientais.
E foi justamente com base na referida norma que o Judiciário baiano, de modo veemente, agiu - o que representa um grande passo para conscientizar nossa sociedade medieval de que os animais também merecem tratamento digno.
Não sou adepto a festas de largo de nenhum tipo, porém, respeito as tradições e costumes de qualquer povo. Só não acho justo judiar dos indefesos jegues.
Imagine o nível de estresse a que eles são submetidos, ao cruzararem uma ponta a outra da cidade - da Conceição da Praia ao Bonfim -, com um monte de tralha sobre o lombo, num calor vulcânico, sem água e numa barulheira orquestral!
“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados", já dizia Mahatma Gandhi.
No entanto, a falta de respeito aos animais ilustra apenas parte da relação perversa que o homem mantém com o planeta.
E o que falar dos desastres naturais, que, com cada vez mais frequência e ferocidade, varrem cidades inteiras, a exemplo do que devastou a região serrana do Rio de Janeiro nos últimos dias? É, sem dúvida, a resposta da natureza, dando de volta ao homem toda a sua maldade e ganância.
Lamentavelmente, cenas pavorosas, como as exibidas à exaustão na última semana, se repetirão com mais assiduidade daqui para frente.
Não tem jeito: a natureza cobra, e até quem não tem nada a ver acaba pagando.
Salve-se quem puder!
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