14 de jan. de 2011

Salve-se quem puder!

A polêmica em torno da participação dos jegues na Lavagem do Bonfim trouxe à baila uma série de opiniões a respeito da decisão da Justiça, que bateu o martelo e proibiu a presença dos animais na festa.

Apesar de louvável, em minha humilde opinião, a determinação deixou muita gente contrariada com a “quebra” da tradição. Nas redes sociais, li comentários deploráveis - do tipo “a Justiça não tem mais o que fazer?” -, reverberados até mesmo por alguns nobres colegas jornalistas.

Se não estão nem aí para os bichos ou não simpatizam com os pobres jegues, esse tipo de gente deveria ao menos se informar melhor e tomar nota de que, para as situações de maus-tratos, está o Artigo 32, da Lei Federal nº. 9.605-98 - a Lei de Crimes Ambientais.

E foi justamente com base na referida norma que o Judiciário baiano, de modo veemente, agiu - o que representa um grande passo para conscientizar nossa sociedade medieval de que os animais também merecem tratamento digno.

Não sou adepto a festas de largo de nenhum tipo, porém, respeito as tradições e costumes de qualquer povo. Só não acho justo judiar dos indefesos jegues.

Imagine o nível de estresse a que eles são submetidos, ao cruzararem uma ponta a outra da cidade - da Conceição da Praia ao Bonfim -, com um monte de tralha sobre o lombo, num calor vulcânico, sem água e numa barulheira orquestral!

“A grandeza de uma nação pode ser julgada pelo modo que seus animais são tratados", já dizia Mahatma Gandhi.

No entanto, a falta de respeito aos animais ilustra apenas parte da relação perversa que o homem mantém com o planeta.

E o que falar dos desastres naturais, que, com cada vez mais frequência e ferocidade, varrem cidades inteiras, a exemplo do que devastou a região serrana do Rio de Janeiro nos últimos dias? É, sem dúvida, a resposta da natureza, dando de volta ao homem toda a sua maldade e ganância.

Lamentavelmente, cenas pavorosas, como as exibidas à exaustão na última semana, se repetirão com mais assiduidade daqui para frente.

Não tem jeito: a natureza cobra, e até quem não tem nada a ver acaba pagando.

Salve-se quem puder!

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