9 de fev. de 2011

Mais atenção com as nossas crianças

Não lembro ter visto - ao menos em um espaço tão curto de tempo - tantas notícias a respeito de crianças vítimas de enfermeiros desastrados ou de pais irresponsáveis Brasil afora. Nos últimos dois meses, li e assisti nos noticiários a uma verdadeira enxurrada de reportagens do tipo. Isso sem falar dos casos sórdidos de pedofilia e de maus-tratos que vêm à luz diariamente.

O primeiro episódio do qual me recordo ocorreu na cidade de São Paulo, no mês de dezembro, e teve como vítima uma menina de apenas 12 anos. Em vez de soro, a auxiliar de enfermagem que a assistia aplicou-lhe vaselina líquida na veia. Stephanie dos Santos Teixeira morreu no dia 4 daquele mês por conta de uma infecção generalizada.

















À polícia, Kátia Aragaki, a enfermeira desastrada, alegou que a “pressão" no trabalho teria contribuído para que ela se distraísse e trocasse os frascos dos medicamentos. Não se sabe por que cargas d’água, mas os vasilhames, apesar de conterem substâncias diferentes, estavam guardados no mesmo lugar. Constatado o crime, Kátia fora indiciada por homicídio culposo - quando não há intenção de matar.

Outro fato não menos desastroso aconteceu em meados de janeiro, aqui na Bahia, com a morte de um bebê de pouco mais de 1 ano. Nesse evento, porém, a própria mãe de Adriano Portugal Santana admitiu tê-lo deixado sozinho por alguns instantes para ir ao banheiro do hospital onde o pequeno encontrava-se internado, em Feira de Santana. Nesse ínterim, enquanto ela aliviava a bexiga, o menino teria despencado do berço e batido com a cabeça no chão. Apresentando sonolência, os médicos diagnosticaram que o garoto sofrera uma crise convulsiva seguida de traumatismo craniano. Dias depois, Adriano teve duas paradas cardíacas e não resistiu.

Os absurdos não pararam por aí.

No dia 30 de janeiro, mais uma vez na capital paulista, outra auxiliar de enfermagem figurava como algoz de uma criança indefesa. O motivo? Ao tentar retirar a bandagem da mão de uma menina de 1 ano, ela conseguiu cortar parte do dedo da garotinha.

Pois bem... Situações como as citadas acima seriam apenas emblemáticas, não fossem tão corriqueiras nos tempos em que faculdades e cursos destinados a profissionais de enfermagem surgem numa profusão nunca antes vista nos quatro cantos do país.

Não é novidade, mas convenhamos que educação técnica/superior, há muito, tornou-se sinônimo de negócio dos mais lucrativos. No entanto, ao se fazer justiça às instituições de ensino e aos profissionais que verdadeiramente zelam pelo exercício responsável de suas atividades, o certo é que já virou moda ver gente sem a mínima instrução fundamental a desfilar nas ruas com seus jalecos encardidos, a tiracolo, posando de doutor.

Em épocas de mercado competitivo, como rezam as propagandas das faculdades, o que vale mesmo é ter um diploma superior - mesmo que este seja arranjado a qualquer custo ou que para isso crianças inocentes tenham seus dedos mutilados e vaselina injetada em suas veias.

2 comentários:

Vanda Amorim disse...

Só uma coisa, Alexandre. A Enfermagem está tão conturbada quanto o Jornalismo. Assim como na nossa área qualquer um se autodenomina jornalista, na Enfermagem acontece o mesmo. Enfermeiro(a) é o que tem nível superior. O profissional de nível técnico é o auxiliar de Enfermagem. Alguns fazem bons cursos, com estágios supervisionados por bons profissionais. Outros, fazem como nas facuculdades em geral: pegam e diploma e só.

Alexandre Santos disse...

Ótima observação, Vanda! Não dá pra generalizar mesmo, é muito relativo. O problema não é exclusivo da área de Enfermagem. Mas, pior do que as faculdades-empresas, em minha opinião, é a pessoa que quer ter o tão sonhado diploma por ter, sem se preocupar se realmente está fazendo aquilo que gosta.

PS: e as dificuldades para o nosso lado são a cada dia piores.

Beijos e obrigado pela visita!